segunda-feira, 19 de março de 2012

Poema de Pablo Neruda


Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

Fonte da imagem:carimam.blogspot.com

domingo, 4 de março de 2012

Oficina de Teatro em Ação DiretA

Sonhos - Jorge Saes


Sonhos... 
Jorge Saes 
Torres-RS/2011
Enquanto há tempo, pergunto:
Como pode o homem negar sua estória?
Ou mesmo esconder, de si, reminiscências?
Como pode renegar, na alma, a dor que o anela?
Como fugir, no desalinho do tempo, as vestes que o mostrarão?
Como se esconder do ontem ou remediar o futuro?
Sempre um alguém  para observar desacertos.
Se O Todo oferece caminhos inevitáveis,
como evitar a luz que desnuda as sombras?
Nas calçadas noturnas, gatos brincaram de caçar ratos.
E o homem, trajado de mendigo, desejou frequentar festas nupciais.
Carente, quis beber, em cristais, gotas de ilusão.
Lágrimas secaram entre promessas e metáforas.
Mas hoje ainda é tempo de esquecer e de lembrar
de preparar o caminho para a última viagem.
Onde a régua, o compasso o esquadro, o prumo, o malho e o cinzel,
mediram orgulhosas pretensões na arte  de esculturar
ângulos desiguais.
Uma gota de mar tentou acariciar a areia.
Mas chegou no limite do último troféu.
O de haver fruído como o orvalho:
das tenras folhas para o ergástulo final, o chão.
Refúgio dos sonhos onde o tudo se transforma em nadas.
Sonhos (II)
O que fiz com meus sonhos?
Para onde os conduzi?
Abandonei-os?
Joguei-os em quarto escuro?
Já nem sei onde buscam moradas.
De vez em quando – aparecem.
Do fundo de algum baú – emergem.
Refletindo imagens - teimam vir à tona.
Sob a luz da realidade - espectros.
Morrem todos os dias.
Jorge Saes/ Torres-RS
Fonte da imagem:
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