sábado, 30 de abril de 2011

Giselle Beiguelman: arte nas aplicações multimídias


Giselle Beiguelman (1962) se destaca pelo trabalho em rede, envolvendo desde literatura e web art até mobile art, abrangendo pesquisa teórica associada à produção poética. Sua produção poética é reconhecida internacionalmente, tendo sido citada por inúmeros artigos e livros nas temáticas da cibercultura. É autora de livros e artigos de destaque, colaborando com revistas nacionais e internacionais. O trabalho com comunicação móvel faz parte de suas atividades desde 2001, o que a torna uma das pioneiras no Brasil nesse tipo de desenvolvimento. Suas obras acionam tanto o processo poético, quanto o estrutural da programação computacional e imbricamento de vários dispositivos. Suas atividades são bastante destacadas na organização e participação de eventos que fomentam a produção em mobile art, entre outras especificidades da arte. Entre suas realizações com dispositivos de comunicação móvel destacam-se “Wop Art” (2001) e “Filosofia da caixa prata” (2008), este realizado em Parceria com José Carlos Silvestre. Foi uma das ganhadoras do Prêmio Sergio Motta de 2003 (Brasil), além de, no mesmo ano, ter contado na lista “International media art award - the Top 50” do, ZKM (Alemanha) Os trabalhos da artista podem ser encontrados no seu site: http://www.desvirtual.com/.

Biografia

Doutora em história da cultura pela USP (1991), Giselle Beiguelman é professora do programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC/SP. Editora da seção Novo Mundo da revista Trópico (http://www.uol.com.br/tropico) e editora contribuinte do NMEDIAC, The Journal of New Media & Culture.Trabalha com criação e desenvolvimento de aplicações multimídia desde 1994, dedicando-se à Internet a partir de 1995. Foi bolsista Vitae, com projeto premiado na área de literatura e novas mídias (1999), membro do comitê científico do Isea 2000 (Paris) e fez parte das equipes de implantação do UOL e do BOL. Integra o arquivo de web arte da Rhizome e tem participado de vários eventos e exposições de web arte e cultura digital na Europa e nos Estados Unidos, como as pioneiras Net_Condition (ZKM, 1999) e (re)distributions (PDA, Information Apliance and Nomadic Art as Cultural Intervention) (voyd.com/ia). Desde 1998, Giselle Beiguelman tem um estúdio de criação digital, desvirtual.com, onde são desenvolvidos seus projetos pessoais,  como O Livro Depois do Livro (http://www.desvirtual.com/giselle), (http://www.desvirtual.com/nocache) e wopart (web site http://www.desvirtual.com/wopart e wap site http://tagtag.com/wopart).

Importância de sua obra
Giselle Beiguelman tem-se dedicado sobretudo às complexas relações existentes entre literatura e novos meios. Suas pesquisas ao mesmo tempo teóricas e criativas sobre essa relação produziram aplicações multimídia bastante densas, tais como O Livro Depois do Livro e Link-se, em que se discute e se experimentam as mudanças que estão ocorrendo no código e no suporte escrito a partir do surgimento dos meios digitais. Mais recentemente, Beiguelman tem voltado as suas indagações para as plataformas wireless (Palm e Wap), produzindo obras especificamente pensadas para difusão nesse circuito.




Fonte das imagens: 
Fonte do texto:

sábado, 23 de abril de 2011

Nilton Valle - Blues / Jazz / Rock Clássico - GUITARRAS (ACÚSTICA, ELÉTRICA E MIDI)



Poema em linha reta (Álvaro de Campos)



Álvaro de Campos*

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


*Heterônimo de Fernando Pessoa

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Só o tempo - Zizi Possi e Paulinho da Viola

sábado, 16 de abril de 2011

Turkish singers! Especial demais! I love it! Bayıldım!










Fotos: Leslie Netto Mendes

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Só hoje - Jota Quest

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Singularidade, diversidade e inclusão social



As políticas públicas e as práticas sociais permanecem limitadas pela noção de identidade; pelo socius dominante de segmentariedade... Somos nomeados, diagnosticados e classificados... ganhamos da vida uma identidade num socius que hierarquiza, exclui e normatiza a vida, para que ela não possa emergir na sua tresloucada diversidade...
Somos um código que nos liga a um sistema de cuidado, de intervenções e de repressão...
O mundo gira e não vê que não foi produtivo o ideário da normatização... Dos homens em série...
Somos impermanência, mudança, obra inacabada, projeto, um conjunto de tarefas... Somos o novo... Somos devires... E somos seres da diferença...
Criamos generalidades... Banalizamos a dor e a restringimos às nossas gavetas de classificados...
O homem genérico é uma mistificação; e uma crua e dura realidade na submissão que o inibe, suprime, evita a vida que brota e germina nas nossas vidas. A vida do seres humanos é singularidade e diversidade..
Incluir é fazer caber na cultura e na sociedade a singularidade e diversidade...
Os excluídos não são uma massa amorfa; desvitalizada; alienada de suas histórias, multiplidades de raízes e de sonhos... Se os encontramos, assim, encontramos o produto de uma sociedade segmentarizada e normativa, que subjetiva a diferença, negando-a, e criando corpos servis, submissos, incolores e invisíveis...
São corpos sucateados, mortificados, destemperados pelo mundo de homens cinzentos: brancos; burgueses; heretossexuais; endinheirados; vitoriosos; corpos malhados e plastificados; racionais e pragmáticos; com todas as aptidões sensoriais e mercantis (compradores, vendedores ou objetos comercializáveis)...
A inclusão social necessita superar a estigmatização, a discriminação e a marginalidade da diferença...
A inclusão social precisa dar voz e expressão, capacidade de existir, livremente para dos diferentes; e libertar as algemas e correntes do socius que suprime a diferença: singularidade e diversidade...
Somos hoje subjetividades capturadas: perdemos a vida e a expressão da nossas tribos...
"Somos todos desertos, povoados de tribos, floras e faunas" - afirma Deleuze... Pensamos, agimos, vestimos, amamos, convivemos, sonhamos, todavia, como se fôssemos todos filhotes adestrados do império... Vivemos à la plin-plin... Sonhamos hollywoodianos... Nossa cultura é a voz massificada da internet...
Um trabalho de inclusão social, assim, é fazendo um paralelo com as ideias do livro "Kafka: uma literatura menor", um trabalho de práticas sociais menores...
O menor não é inferior; nem a desvalia... é a ruptura radical com o pensamento, com o modo de viver, com as relações da "maioria", não numérica, mas dos dominantes, da hegemonia do Capital... interiorizado nas subjetividades excluídas como desvalia, apatia e despersonalização...
Um trabalho menor, na compreensão de Guattari percute a vida e agencia: a expressão viva e vitalizante da singularidade e do devir; coletiviza, rompendo a narcísica solidão do individualismo e a amorfa diluição das massas acríticas; e emerge militante...
A militância é motor, sustentação e produção de vida da inclusão da singularidade e da diversidade...
Na luta, nasce um porvir... uma utopia... um grupo sujeito...
A vida clama... ela é potência; ela é salto e efervescência... é o novo... o alvorecer...
E incluir é libertar a vida que foi um dia excluída dos caminhos onde trafegam a alegria e a liberdade, a poesia do porvir e a alteridade da diversidade e da diferença, que, se materializadas, atualizadas, dão ao mundo um novo brilho, pois, já não se pode viver e sonhar numa vida, assim, cruamente descolorida...

Fonte do texto e da imagem:

terça-feira, 12 de abril de 2011

Convite

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os dias da Comuna: a poesia na luta pelo futuro

O poeta e dramaturgo comunista Bertolt Brecht (10 de fevereiro de 1898 – 14 de agosto de 1956) renovou o teatro e a poesia exprimindo sentimentos revolucionários sob uma forma igualmente revolucionária, adequada a seu tempo e às suas contradições.

Militante comunista, foi combatente antinazista da linha de frente, engajando sua arte na luta pela democracia, pelo socialismo, contra o fascismo e o nazismo. Ligou a crítica ao nazismo ao combate contra a repressão característica do tempo de reação burguesa, da qual o bestial massacre da Comuna de Paris foi um marco.
A arte, propunha ele, precisa estar a serviço da luta operária, do progresso social e dos mais altos sentimentos de humanidade e solidariedade. É um instrumento, nesse sentido, de combate à alienação e ferramenta para despertar e consolidar a consciência de classe. Os dias da Comuna é um dos melhores exemplos da clareza e determinação que ilumina os escritos de Brecht.

Os dias da Comuna (*)
Bertold Brecht

1.
Considerando nossa fraqueza os senhores forjaram
Suas leis para nos escravizarem.
As leis não mais serão respeitadas
Considerando que não queremos mais ser escravos.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e com canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

2.
Consideramos que ficaremos famintos
Se suportarmos que continuem nos roubando
Queremos deixar bem claro que são apenas vidraças
Que nos separam deste bom pão que nos falta.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.

3.
Considerando que existem grandes mansões
Enquanto os senhores nos deixam sem teto
Nós decidimos: agora nelas nos instalaremos
Porque em nossos buracos não temos mais condições de ficar.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

4.
Considerando que está sobrando carvão
Enquanto nós gelamos de frio por falta de carvão
Nós decidimos que vamos tomá-lo
Considerando que ele nos aquecerá
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

5.
Considerando que para os senhores não é possível
Nos pagarem um salário justo
Tomaremos nós mesmos as fábricas
Considerando que sem os senhores, tudo será melhor para nós.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.

6.
Considerando que o que o governo nos promete
Está muito longe de nos inspirar confiança
Nós decidimos tomar o poder
Para podermos levar uma vida melhor.
Considerando: vocês escutam os canhões
Outra linguagem não conseguem compreender
Deveremos então, sim, isso valerá a pena
Apontar os canhões contra os senhores!



(*) Com o título “Resolução”, este poema encerra a seção 3 da peça Os dias da Comuna que Brecht escreveu em 1948-1949, traduzida para o português por Fernando Peixoto.

Fonte da pesquisa:

Eu te amo - Chico Buarque


"Diz com que pernas eu devo seguir"? 
(Lindo demais isso!)

sábado, 9 de abril de 2011

Para quem gosta de arte

domingo, 3 de abril de 2011

Convite

                                                                Lya Luft
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Extraído do livro "Perdas & Ganhos", Editora Record - Rio de Janeiro, 2003, pág. 12. 
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