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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lia Menna Barreto



Críticas

Fonte:
"É impossível separar o caráter orgânico das obras de Lia, de sua materialidade. Um nasce do outro simultaneamente. Os sólidos feitos quatro anos atrás resultavam de um processo nitidamente escultórico. Grossos blocos de espuma eram desbastados, esculpidos e, em alguns casos, recebiam em seguida uma coloração escura. A espuma, estrutura dos trabalhos, era apenas carne, sem ossos e pele, uma vez que não recebia revestimento. Daí, embora não aludissem a nenhuma forma viva identificável, eram inevitavelmente associados a organismos.
A nudez estrutural dos sólidos iniciais indicava, virtualmente, um dentro que ainda não existia, porque o trabalho se concluía na carne do material utilizado. As obras agora mostradas demonstram um amadurecimento das entranhas para a superfície das peças que atualmente possuem pele, sendo todas revestidas de tecidos diversos.
Não há no caso nenhuma alteração nos procedimentos escultóricos de antes, que continuam a desempenhar papel estrutural das peças. A novidade reside na adoção de métodos construtivos na feitura da superfície dos objetos. O revestimento da maioria deles resulta na costura de partes, cuja articulação se assemelha à idéia que os construtivistas estabeleceram a respeito da especialidade de seu processo em face da tradição da escultura: seu trabalho decorria da articulação de partes - o que se afastava das técnicas tradicionais desta última, aproximando-os dos métodos de construção da engenharia moderna".

Fernando Cocchiarale

COCCHIARALE, Fernando. Lia Menna Barreto. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 23, p. 82, 1990.

"O procedimento normal da artista é seccionar os bonecos, possibilitando novas e múltiplas montagens, como se operasse com a liberdade criativa da fábula, plasmando seus objetos de acordo com jogos lingüísticos, que têm uma ´narrativa´ paralela que é quase um chiste lingüístico. Bom exemplo é um de seus trabalhos mais desconcertantes, em que aglutina um bebê a seu carrinho num só objeto, despejando sua ação corrosiva sobre a dupla significante carrinho-bebê, consagrada pelo hábito.
O espaço condensado, que aglutina formas, criando objetos inesperados, age criticamente sobre uma equação perceptiva cotidiana, automática, de modo a revelar seu absurdo e estranheza. Com o mesmo humor bolas coloridas e partes de bonecas se juntam em Boneca Acrobata. Em Ordem Noturna, Lia permuta partes de bonecos com corpo de pelúcia, resultando em aleijões que lembram o gosto pelo grotesco nos circos ou mesmo em cortes antigos, onde anões deformados eram ciosamente mantidos para deleite geral. Para a artista, essas deformações lembram a ordem oculta do mundo, a ordem noturna, ou ainda o universo do não dito, dos automatismos perceptivos e das incongruências afetivas".

Carlos E. Uchôa Fagundes

FAGUNDES, Carlos E. Uchôa. Lia Menna Barreto e a ordem oculta do mundo. In: Salão Arte Pará, 14, Belém, 1995.

"Lia Menna Barreto confronta-se com imagens de representação e simulacros do afeto. Sua obra tem em conta a capacidade do brinquedo de ativação do imaginário infantil e, agora, por seu uso, recuperar essa possibilidade do jogo afetivo. Arte, diz-nos Argan, é um momento preciso de relação de alteridade, momento em que o Outro colhe significados na estrutura significante, a obra de arte, constituída pelo artista. Brinquedo e arte - estamos diante não de duplos, mas de instâncias do real.
Não se trata, ademais, de um processo de monstrificação por meio da brutalização dos brinquedos. E em nenhum momento Menna Barreto parece estar interessada em que brinquedos se reduzam a metáforas antropomórficas. O que lhe interessa, de fato, são as possibilidades de, em trabalhando com brinquedos, intervir numa ordem dos objetos e operar no campo da falência da razão e de sua crise. Lia Menna Barreto trabalha, pois, sobre o campo dos desejos. O caráter abjeto de algumas de suas obras aponta ainda para uma economia da ordem simbólica. Uma sobrecarga do inconsciente circula nos meandros de uma funcionalidade em pânico. A matéria abjeta produz significados no processo de formação da subjetividade. Na obra, o brinquedo revela-se, então, como jogo de linguagem. Na obra de Menna Barreto, a experiência é a do desaprendizado e da transgressão. A crise, mais precisamente, é a do próprio sujeito".

Paulo Herkenhoff

HERKENHOFF, Paulo. Quase brinquedos de Lia Menna Barreto. In: BARRETO, Lia Menna. Lia Menna Barreto: ordem noturna. Rio de Janeiro: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1995.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Adélia Prado por Rubem Alves


"Não foi à toa que Adélia Prado disse que 'erótica é a alma'. Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: 'continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?'"

Rubem Alves

Fonte da imagem:
www.imotion.com.br/.../details.php?image_id=9941

domingo, 24 de janeiro de 2010

Spencer Tunick: o fotógrafo do nu artístico das multidões


Desde 1992, Spencer Tunick documenta a nudez de multidões. A sua proposta é uma mistura de performance coletiva e fotografia. As suas instalações consistem de dezenas, centenas, ou mesmo, milhares de figurantes voluntários, que posam em locais públicos, tornando as fotografias um documentário do evento em si.



“Observa-se o resgate deste corpo – imperfeito, nu e exposto no espaço urbano – associado à idéia de um ato de libertação e resistência (entendida em termos foucaultianos como um “interlocutor irredutível” nas relações de poder), capaz de questionar e transgredir os códigos sociais normativos que regulam a sua exposição. Numa apreciação inicial do tema, no entanto, consideramos que o que em termos individuais representa uma experiência cultural significativa pode estar inserido em uma lógica onde os múltiplos discursos sobre o corpo atendem a mecanismos de poder amplamente difundidos nas sociedades modernas”. (Fábio Ramalho).


“O corpo, amplamente exibido e reivindicado como instrumento privilegiado de expressão artística, assume também esta multiplicidade de abordagens e, dentre elas, chama-nos particularmente a atenção o modo como se entrelaçam em determinados discursos as noções de indivíduo e corpo; mais precisamente, o corpo como expressão de individualidade, como interface social que permite o contato em um ambiente social compartilhado, ou ainda como elemento no qual se materializa a idéia de uma cisão entre indivíduo e sociedade, mas no qual se pode realizar também – ao menos temporariamente – a superação desta dualidade.”


“É no espaço urbano, ambiente privilegiado na instauração destas experiências culturais modernas, que o corpo vivencia mais intensamente as dinâmicas de exibição/ocultação, mas é também aí onde ele se submete mais fortemente às regras do convívio, interdições, economia dos gestos e normas de comportamento que regem o espaço coletivo.” (Fábio Ramalho)


“Tem-se, assim, um sentido construído ao longo do percurso de realização da obra que se fundamenta na noção de um trabalho essencialmente coletivo, de interação, e cujo elemento de maior significação reside no ato de despir-se que, por sua vez, alude à quebra das normas e códigos que regulam a exibição dos corpos publicamente. Quebra associada a ideais de auto-afirmação – reconhecimento e valorização de particularidades, detalhes da anatomia, características pessoais de comportamento e atitude que são expressas neste ato, bem como a manifestação de uma forma peculiar de se relacionar com o entorno – e também de libertação – transgressão às normas sociais de conduta, novos usos do espaço público, despojamento de roupas, acessórios e outros elementos culturais de identificação e distinção social, ou até mesmo o sentimento (mesmo que momentâneo) de supressão do distanciamento entre corpo e artificialismo da paisagem.” (Fábio Ramalho).




Referências:

RAMALHO, Fábio. As ambiguidades da resistência: indivíduo, corpo e poder nas instalações urbanas de Spencer Tunick. Artigo disponível em: http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/article/view/8/9. Acesso em 23 jan. 2010.

Fonte das imagens:



Postado por Tânia Marques em 24 de janeiro de 2010.
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