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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Entre as ondas



A Onda (2008) é um excelente filme! Muito bom para a reflexão do seu conteúdo que é bastante contundente. Até que ponto a ideologia aliada à ingenuidade e à manipulação são capazes de interferir na vida cotidiana de um grupo, de uma coletividade? Até que ponto um professor consegue reconhecer o poder que tem em suas mãos para mudar a realidade a partir de um discurso construído em nome da disciplina? Acabo agora de assistir também à primeira versão de A Onda (1981) e vou procurar tecer comentários que falem sobre o ‘entre’ as duas versões. Obviamente por tratar-se de ficção e não de um documentário, ambos os filmes se distanciam em alguns aspectos do fato verídico, acontecido em Cubberley High School em Palo Alto, Califórnia, no ano de 1967, que lhes serviu de inspiração. No entanto, a sua essência foi preservada nos dois longas-metragens, sendo que eles se diferenciam pelo caráter mais apelativo da última versão. A primeira versão choca por deixar bem explícito um experimento nazista em sala de aula, durante uma semana, tal qual o próprio professor, anos mais tarde depois do ocorrido, tornou público. Já a segunda versão, mais próxima da nossa realidade, sofreu adaptações que (super)dimensionaram a gravidade do mesmo experimento entre os alunos e a coletividade próxima à escola, com consequências irreversíveis e dramáticas para todos. O fato experimental foi contornado, mesmo com a dificuldade de aceitação pelos alunos, na primeira versão e na realidade da Cubberly High School, inclusive com o apoio total da direção da escola. Já na versão de A Onda (2008), a situação perde o controle de forma mais inusitada e, pior ainda, o professor recebe o apoio da direção da escola para seguir em frente com o seu experimento. Só que no final, apenas o professor é punido, a direção aparece omissa das responsabilidades co-autorais do experimento no filme. O roteiro e seu argumento foram ampliados, basta ver que a primeira versão apresenta um total de 46 minutos, enquanto a segunda tem exatamente uma hora a mais, ou seja, 1h e 46 min de duração. Como eu assisti a segunda versão antes da primeira, posso registrar aqui que fui acometida de um certo susto ao perceber a ligação de certas condutas sugeridas e ou impostas pelo professor no filme A Onda (2008) com outras similares que fazem parte rotineiramente do nosso contexto escolar atual. Ambas as versões questionam a questão da individualidade X hegemonia, tanto no aspecto de liberdade de escolhas quanto no diferencial da personalidade de cada ser humano. No entanto, as duas revelam o quão fragilizados nós somos ou estamos a ponto de nos deixarmos manipular sem refletir sobre o antes, o durante e o depois de cada atitude que nos é proposta, seja em sala de aula, seja a nível de Ensino Médio ou Universitário, seja na vida. O vazio existencial, digamos o niilismo a que somos submetidos por um sistema que nos rouba os sonhos, que nos policia, que nos programa somente para o mundo do trabalho, que nos consome as alegrias de viver, que nos sequestra o direito à liberdade e à justiça social, ao lazer, que subtrai a nossa saúde física e mental, que vigia as nossas liberdades de ação e de expressão, ou, em contrapartida, por um sistema que fornece um super amparo material e quase nenhum psicológico, como era o caso das sociedades envolvidas no filme, enfim, tudo isso fez com que aqueles adolescentes em cena achassem aquele comportamento muito confortável e até necessário estarem sendo dirigidos com o entendimento de eles serem um só grupo, de terem um só objetivo comum que os tornassem importantes, ligados e superiores aos demais, um objetivo que, a partir da segregação, pudesse fazê-los lutar por ele para dar sentido às suas próprias vidas. Por último, cabe ressaltar que, na segunda versão de A Onda (2008), há um mau uso dos conceitos, também como forma de manipulação e subestimação do público a quem se destina. As palavras autocracia e anarquia são praticamente usadas como sinônimos durante o filme e, às vezes, na tentativa de tentar mostrar uma diferença entre elas são empregadas expressões do tipo: autocracia está acima de anarquia, a anarquia é autocrática, tanto o é que os alunos picham o símbolo de a onda exatamente em cima do símbolo da Anarquia quando passam por uma vidraça. Até onde o meu conhecimento permite falar, o brutal totalitarismo imposto pela autocracia nazifascista nada tem a ver com o auto-gerenciamento utopicamente sonhado pelos anarquistas, com total liberdade de expressão, de escolhas e de ações pelo grupo em questão.

 Tânia Marques - 01 janeiro de 2014

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Nunca te vi, sempre te amei"

Eu já assisti a esse filme antes (...tudo começou em 1977), foi uma amizade muito linda!

Uma história de amor e gosto pelos livros, Nunca Te Vi, Sempre Te Amei apresenta os ganhadores do Oscar Anne Bancroft* e Anthony Hopkins atuando de forma excepcional. Helen Hanff (Bancroft), uma escritora mal humorada, envia uma carta a uma pequena livraria de Londres, solicitando algumas obras inglesas clássicas raras. Frank Doel (Hopkins), o discreto vendedor inglês de livros, atende a seu pedido, iniciando uma troca de cartas comovente e graciosa entre dois continentes por duas décadas. A aspereza de Hanff contrasta com o comportamento pomposo britânico de Doel, mas o amor mútuo aos livros forma entre eles um elo que se intensifica com o passar dos anos. Suas cartas íntimas e altamente detalhadas descrevendo seus sonhos, esperanças, sofrimentos e alegrias nos faz mergulhar no universo de suas vidas, e eles acabam desenvolvendo uma amizade notável e duradoura. 
Hoje, os meios são outros, mas os fins aparentemente são os mesmos!

sábado, 12 de março de 2011

3 Efes - Carlos Gerbase

Assisti a esse filme no final de 2007. Vale a pena conferir! 
O último "F" é o do simulacro!



(DV/Beta digital, 100 min, cor, 2007)
(janela 1.77, som digital Dolby)

Sissi, uma jovem com o pai viúvo e desempregado, luta para sustentar a família e sonha em dividir um apartamento com o namorado jogador de futebol. Martina, de situação financeira mais estável, luta para voltar a ser desejada pelo marido publicitário, ou pelo primeiro que aparecer. Giane já mudou de vida, e pode influenciar o futuro de Sissi. De acordo com o Professor Valadares, essas três mulheres estão apenas tentando saciar seus apetites mais básicos: a Fome, o Sexo e o Fasma.



ROTEIRO | TEXTO FINAL
MÚSICA ("Caixa Preta" - Laura L e MIPV)
Direção: Carlos Gerbase

Produção: Carlos Gerbase
Roteiro: Carlos Gerbase
Direção de Fotografia: João Divino
Direção de Arte: Paula Piussi
Música: Laura L e Músicas Intermináveis para Viagem
Direção de Produção: Diego Sardão, Glauco Firpo e Pedro Guindani
Montagem: Giba Assis Brasil

Uma Produção da Casa de Cinema PoA

Co-produção: Vortex
Regra Três
Low Filmes
Kiko Ferraz Studios
e Maria Cultura

Elenco Principal:
Cristina Kessler (Sissi)
Carla Cassapo (Martina)
Leonardo Machado (Rogério)
Felipe de Paula (Betinho)
Paulo Rodriguez (William)
Ana Maria Mainieri (Giane)

CRÉDITOS COMPLETOS
Prêmios:
- Melhor filme no 2º Festival de Cinema da Floresta, Mato Grosso, 2008

Críticas

"Carlos Gerbase está fazendo história. Esteticamente, ele também dá um salto de qualidade. (...) Sua trama mistura vários personagens em histórias de sexo e comida que se passam em Porto Alegre. Comer, beber, viver. (...) O barato é que 3 EFES, rodado em 20 dias com uma mini-DV, faz dessa simplicidade a sua arma para tentar ganhar o público. (...) Nada contra a ambição (autoral, intelectual, profissional). Mas, no caso dos longas da Casa de Cinema, quanto mais simples tem sido melhor."
(Luiz Carlos Merten, O ESTADO DE SÃO PAULO, 07/12/2007)

"Com uma abertura que lembra o curta-metragem ILHA DAS FLORES (1989), de Jorge Furtado, 3 EFES narra histórias paralelas que convergem para explicar a tese de um personagem fictício sobre os 'grandes apetites da humanidade': fome, sexo e fasma (representação da relidade). (...) O tom de farsa, no entanto, funciona como espécie de antídoto para as fragilidades da história. Mais significativo que o próprio filme é o caminho alternativo para o qual aponta com o seu lançamento."
(Sérgio Rizzo, FOLHA DE SÃO PAULO, 07/12/2007)

"A experiência é única, as chances de assisti-la são muitas. Hoje, o cineasta porto-alegrense Carlos Gerbase apresenta ao público 3 EFES, seu quinto longa-metragem, de uma forma inovadora no Brasil e, pelo que se sabe, no mundo. E esse público é quem escolhe como e onde assistir, e até se paga ou não pelo programa. (...) O longa realça uma marca autoral que Gerbase traz desde seus tempos de super-8: personagens que se enredam em dramas e situações inusitadas para saciar desejos e fantasias sexuais. Em 3 EFES, o diretor acrescenta ao enredo de uma comédia dramática outras duas necessidades básicas do ser humano: fome e fasma (palavra grega para simulacro) - o filme justifica a origem dessa peculiar teoria."
(Marcelo Perrone, ZERO HORA, Porto Alegre, 07/12/2007)

"A história é bem contemporânea e retrata o cotidiano de personagens urbanos e suas dificuldades. (...) Mundo urbano, cruel e competitivo, com vidas bailando em torno de sexo e do dinheiro como costuma ser nas grandes cidades. Uma história interessante, divertida, com personagens bem desenhados, e com os quais o público jovem talvez possa se identificar."
(Luis Zanin, Blog, ESTADÃO, São Paulo, 07/12/2007)

"Tudo vai caminhando num ritmo interessante, com muitas citações aos gaúchos, como o Parque da Redenção e o Estádio Olímpico, o que ao mesmo tempo incrementa a produção mas também a regionaliza. (...) Depois de uma certa tensão entre os personagens, vêm toques de humor que encerram os dilemas colocados na tela de uma maneira quase surreal. Júlio Andrade, por exemplo, numa pequena ponta como policial, tem 2 ou 3 falas, mas diz a que veio. Ana Maria Mainieri, de HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES e TOLERÂNCIA, se sobressai."

(Renato Martins, blog, 07/12/2007)

"O começo de 3 EFES até parece saído da cabeça de Jorge Furtado. Um professor universitário inventa uma teoria: a maior necessidade dos seres humanos, basicamente, se resume em 3 palavras que começam com a letra F: fome, sexo e fasma. (...) Para esmiuçar essa teoria, o filme se vale de um grupo de personagens, que estão sempre relacionando os 3 efes. (... ) O F final relaciona todos os personagens numa rede de encontros e desencontros até chegar numa cena climática. É interessante ver a forma como Gerbase articula diversos personagens sempre em busca de satisfazer seu apetite (de comida e sexo), e os problemas que isso traz para as suas vidas."
(Alysson Oliveira, CINELOG, 07/12/2007)

"Gerbase aborda temas sérios, delicados. Mas dá a eles um tratamento leve, despretensioso, amoral - incluindo aí as discussões que faz acerca da prostituição e da traição no casamento. (...) A energia juvenil que brota de 3 EFES lembra a de HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES. Ela só existe devido a esse tratamento descontraído de assuntos espinhosos - similar á visão adolescente desses assuntos. Ela é o encanto do filme."
(Daniel Feix, ZERO HORA, Porto Alegre, 13/12/2007)

"O começo lembra até o curta ILHA DAS FLORES, mas depois segue em ritmo 'normal' para contar pequenas histórias rodeadas por três elementos centrais: fome, sexo e signo (aqui, algo como representação do real). (...) Narrativas simples, infelizmente pouco levadas às telonas, sobre pequenos dramas reais. 3 EFES e a Casa de Cinema de Porto Alegre inovam na contramão de boa parte da produção do eixo Rio-São Paulo."
(Catarina Scortecci, FOLHA DE LONDRINA, 13/12/2007)

"Ao falar das necessidades básicas do ser humano, a partir de uma tese de Aníbal Damasceno Ferreira, que aparece na tela como o Professor Valadares, o cineasta olha para um processo que tende a deformá-las, transformando-as em alvos difíceis de serem alcançados. Para alcançar o equilíbrio, muito terá de ser abandonado para evitar a queda. O preço a ser pago é revelador. E, ao optar pela leveza e o humor, o realizador conclui seu filme com um achado que tudo resume e permite que a narrativa se conclua de forma tão apropriada quanto divertida."
(Hélio Nascimento, JORNAL DO COMÉRCIO, Porto Alegre, 14/12/2007) 

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