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quarta-feira, 15 de junho de 2011

A poesia de Manoel de Barros


A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros


Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei.

Manoel de Barros





Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro,
envergá-las pro chão, corrompê-las, -
até que padeçam de mim e me sujem de branco.

Manoel de Barros







Poesia é voar fora da asa.

Manoel de Barros

Tentei descobrir na alma alguma coisa mais profunda do que não saber nada sobre as coisas profundas.
Consegui não descobrir.

Manoel de Barros


...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.

Manoel de Barros

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Manoel de Barros


Sou hoje um caçador de achadouros da infância.
Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.

Manoel de Barros




 

O mundo não foi feito em alfabeto.
Senão que primeiro
em água e luz.
Depois árvore.

Manoel de Barros












Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
com janelas de aurora e árvores no quintal.
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.

O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, Não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.

Sem nome, porém honrada, Senhor.
Só não dispenso a árvore,
Porque é a mais bela coisa que
nos destes e a menos amarga.
Quero de minha janela sentir
os ventos pelos caminhos, e ver o sol
Dourando os cabelos negros
e os olhos de minha amada.

Também a minha amada não dispenso, meu Senhor.
Em verdade ele é a parte mais importante deste poema.
Em verdade vos digo, e bastante constrangido,
Que sem ela a casa também eu não queria,
e voltava pra pensão.

Ao menos, na pensão, eu tenho meus amigos
E a dona é sempre uma senhora
do interior que tem uma filha alegre.
Eu adoro menina alegre,
e daí podeis muito bem deduzir
Que para elas eu corro nas minhas horas de aflição.

Nas minhas solidões de amor e
nas minhas solidões do pecado
Sempre fujo para elas, quando não fujo delas, de noite,
E vou procurar prostitutas. Oh, Senhor vós bem sabeis
Como amarga a vida de um
homem o carinho das prostitutas!

Vós sabeis como tudo amarga
naquelas vestes amassadas
Por tantas mãos truculentas ou tímidas ou cabeludas
Vós bem sabeis tudo isso, e portanto permiti
Que eu continue sonhando com a minha casinha azul.

Permiti que eu sonhe com
a minha amada também, porque:
- De que me vale ter casa sem ter
mulher amada dentro?
Permiti que eu sonhe com uma que ame
andar sobre os montes descalça
E quando me vier beijar faça-o
como se vê nos cinemas...

O ideal seria uma que amasse fazer comparações
de nuvens com vestidos, e peixes com avião;
Que gostasse de passarinho pequeno,
gostasse de escorregar no corrimão da escada
E na sombra das tardes viesse pousar
Como a brisa nas varandas abertas...

O ideal seria uma menina boba:
que gostasse de ver folha cair de tarde...
Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra,
E ficasse assustada quando ao cair da noite
Um homem lhe dissesse palavras misteriosas ...
O ideal seria uma criança sem dono,
que aparecesse como nuvem,
Que não tivesse destino nem nome -
senão que um sorriso triste
E que nesse sorriso estivessem encerrados
Toda a timidez e todo o espanto
das crianças que não têm rumo...

Manoel de Barros


Fonte das imagens:
http://www.google.com./

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perfeição


Beijos roubados revelam segredos
eu não quero que saibam dos meus
secretos esconderijos
templos de luares,
dos poemas na areia-mares
e notívagas andanças
no bosque perdido da perfeição.

Tânia Marques  02 de junho de 2011



quinta-feira, 10 de março de 2011

Dia da Poesia - 14 de março

Moça na janela - Di Cavalcanti
SOBRE A POESIA
Tânia Marques

Poesia é arte, arte é poesia. O poema apresenta poesia e a prosa poética também. Além disso, podemos ver poesia nos pássaros, na natureza, na vida, nos nossos pensamentos, nas nuvens, na lua, no sol, na chuva, nos nossos sonhos. Poesia é um estado de alma, é a expressão do eu-lírico, poesia é apoio, é desabafo, é gratidão. Poesia é emoção, é liberdade de expressão, é liberdade de escrita, poesia é agenciamento, é devir, é magia, é transmutação. E viva a poesia!...

Observação: Texto originalmente publicado no blog Utopia Ativa, de Jorge Bichuetti

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz Dia do Amigo!

Feliz Dia do Amigo!!!!

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente,
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos pra sempre.

Fonte do texto: Texto enviado por Rosângela Maia, por e-mail.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Brevidade

Nem todas as rosas exalam um perfume adocicado
Nem todas as mulheres demonstram força e coragem
Nem todas as pessoas sabem admirar o pôr-do-sol
Nem todas as crianças conseguem sonhar e brincar
Nem todos os animais pulam a cerca para fugir

O importante é encontrar as rosas vermelhas numa roseira
O fundamental é amar uma mulher sempre por inteira
O urgente é instigar as pessoas a não andarem sem eira nem beira
O necessário é mostrar às crianças como se devem fazer arteiras
O indispensável é aprender com os animais como a vida é ligeira.

Tânia Marques  19 de julho de 2010 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Casamento


Se ainda duas bocas se encontrarem
Pelo desejo e pela vontade
de trocarem segredos
E não pelo hábito

Se ainda as pernas se entrelaçarem
Ao dormirem lado a lado
Pelo carinho e pela necessidade
E não pelo hábito

Se ainda duas mãos se juntarem
Ao saírem à rua
Debaixo de chuva ou de um sol escaldante
E não pelo hábito

Se ainda dois olhares se sustentarem
Em meio a uma discussão
Denunciando medo de um possível rompimento
E lágrimas rolarem
E não pelo hábito
De uma vida inteira juntos...

O amor aconteceu por êxtase e não feneceu
Pelo hábito

Tânia Marques 06 de junho de 2010

Fonte da imagem:  outroladodamargem.zip.net/

domingo, 2 de maio de 2010

.eu existo.

.existem nuanças de existir, existem cores para existir... eu existo no que escrevo, eu existo no que leio, eu existo na criação, eu existo em você, e sem você também, singularmente, eu existo mesmo que não me vejam, mesmo que não gostem de mim, ou gostem, eu existo na liberdade, eu existo na dúvida, eu existo na contramão, eu existo na sua companhia, eu existo na solidão, eu existo na multidão, eu existo, mormente, na razão, eu existo sem exatidão, eu existo na poesia, eu existo no sonho, eu existo no discurso, eu existo na subjetividade, eu existo no seu olhar, eu existo na linearidade, eu existo aqui... stop! é o aqui que importa.

Tânia Marques   27 de abril de 2010
Fonte da imagem: arquivo pessoal

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Contra adição

não sou poeta do amor
daquele amor que consome
que fez arder em chamas Camões
de um sentimento que aniquila
sou poeta das coisas da vida
da paisagem urbana
do beijo na boca
da transa gostosa
sou eclético
sou modernético
sou cibernético
sou o anti-herói romântico
amor não rima com prisão
mas quando surge
quanta (e)bulição!

Tânia Marques 21 de abril de 2010
Fonte da imagem:

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Delírio poético

Vêm à tona desejos imersos no inconsciente
Falar é um ato explosivo, pois quebra o silêncio
O registro poético vomita a solidão
As palavras deixam marcas violentas no papel
Estas vêm do subjetivo mal-estar nonsense
Imperativo da pós-modernidade
Vida agreste, sentimentos rupestres
Coração bate-rebate aflições
Enganos tortos à meia-noite
Prismas desiguais da mesma verdade
Penso distante daquilo que sentes
Recuso a tua boca
Viajo
tu ficas quieto
Falar é um ato explosivo, pois quebra o silêncio

Tânia Marques 02/11/09
Fonte da imagem: arquivo pessoal

domingo, 18 de abril de 2010

Passos

Se seguires os meus passos, encontrarás o amor!

Tânia Marques  18 de abril de 2010.
Fonte da imagem: arquivo pessoal.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Amor é síntese - Mário Quintana


Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.

Mário Quintana

Fonte da imagem: 

Caio Fernando Abreu

Tenho a boca afiada de punhais
não choro
olho os faróis com duros olhos
ardidos de quem tem febres
mas não sangro
as mãos vazias deixam passar o vento
lavando os dedos que não se crispam
não há palavras, nem mesmo estas
o único sentido de estar aqui
é apenas estar secamente aqui
cravado como um prego
em plena carne viva da tarde.

Postado por Tânia Marques  1º de abril de 2010
Fonte da imagem:
solosfemininos.blogspot.com/2009/12/lacos-e-p...

sábado, 27 de março de 2010

Momentos de Inspiração I

Muitos de meus leitores ainda não eram nascidos, e eu já andava “catando milho” numa velha máquina de escrever, para registrar roupantes de pura inspiração poética. Este poema foi escrito no dia 04/07/1983 e dedicado a uma pessoa muito especial.


Na mais pura emoção,
Os desejos de liberdade
Percorrem o nosso corpo e
Numa vontade louca de se expressarem
Evaporam no ar
Algo mais abstrato toma forma
Aos poucos,
Enxergamos um mundo novo
E um pedaço desse mundo
Destoa de sua totalidade
Vejo nele um poeta de um presente distante
Construindo sua própria história
Não sei mais o que é realidade
Não sei mais o que é sonho
Tudo é realidade
Tudo é sonho simultaneamente
E você, poeta? O que é?
No anonimato, você é vida
Atrás dos rostos perdidos, você é uma beleza esplêndida
No silêncio maior dos meus sentimentos,
Você é a liberdade das fantasias e das verdades do amor
Eu posso sentir o seu perfume
Eu experimento o seu calor
Eu sou sensível à sua inspiração.

Tânia Marques 04 de julho de 1983.

Fonte da imagem:
www.mypage.com.br/myflog/visualiza_modPH.asp?...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski

Fonte da imagem:
palavraguda.wordpress.com/2007/09/10/aparicao/

sábado, 20 de março de 2010

De Paulo Leminski...


 Desencontrários

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto. 


Um bom poema leva anos

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto 


Fonte da imagem: www.eurascunho.zip.net/

terça-feira, 16 de março de 2010

Sonhos


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

"Sonhos de uma noite de verão"
(William Shakespeare)

Fonte da imagem:
deliriosdeanape.blogspot.com/2009_12_01_archi..

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher


Mulher é...
Luta
Garra
Emoção
Proteção
Sentimento
Ação
Rebeldia
Paixão
Sonho
Carinho
Aconchego
Vida que gera vida
Inteligência múltipla
Percepção do detalhe
Porto seguro da humanidade

Tânia Marques 08 de março de 2010.

segunda-feira, 1 de março de 2010

"No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido"

Chico Buarque cantando "João e Maria", música sua em parceria com o Mestre Sivuca, 1977.


João e Maria

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ainda é possível...

Fonte das imagens: Tânia Marques (arquivo pessoal).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

My freedom

Fonte das imagens: Arquivo pessoal.
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