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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Margem Abandonada Medeamaterial Paisagem com Argonautas

Medeamaterial, caos que atravessa a realidade, estourando clichês. Desacomodação hiper-realista de sentimentos. Somos todos argonautas e navegamos diariamente em ônibus lotados, cheios de uma gente que não se dá conta de para onde está indo. Polícia de choque, curto circuito no sistema. Medeias, Gláucias ou Creúsas, a rotina do poder é destruída pelas “anônimas” mulheres de Jasão. Denúncia, apelo, reflexão. A (des)humanidade caminha para a barbárie, instigada pela ganância material. Para que servem os corpos injustiçados? Feiticeiras enfeitadas competem entre si. Espelhos são armas mortais para elas. Fatias de carne humana e não-humana lotam a mesa imperialista. Onde está Jasão? Ocupado, demasiadamente ocupado, correndo atrás daquilo que foi estabelecido como pseudopoder. Todas as suas mulheres são parideiras de dores, de funestos horrores. Está armado o circo da miséria, e a religião estende seus braços para confortar as vítimas que ela mesma se encarrega de engendrar. A complexidade da exploração é exorbitantemente visível, risível, ela atravessa a vida numa velocidade galopante. Precipício, abismo! A (des)humanidade está na plateia, sentada, por enquanto atônita e de braços amarrados. No picadeiro, animais gemem de adestramento e pessoas curvam-se de sujeição. Oh! Jasão! A ação direta virá, mas não mais como pecado. Estamos marchando com as tuas botinas mas em direção oposta à tua. A arma que escondias em teu coração agora está nas mãos das mulheres atrevidas, que não suportam mais tanta submissão. No entanto, a luta não é somente delas, é de todos os que estão na margem abandonada, nas favelas, nos morros e no centro das cidades, é de todos os que navegam na nau Argo em busca de igualdade. 
Intensa, corajosa, desafiadora, impactante, a peça Margem Abandonada Medeamaterial Paisagem com Argonautas é um convite à resistência à dominação.
Tânia Marques 11/03/2012

DIAS 14, 20, 21, 27 e 28 de JULHO/2012
DIAS 3, 4, 10, 11, 17 e 18 de AGOSTO/2012
NO MEZANINO DA USINA DO GASÔMETRO - PORTO ALEGRE - RS.
Ingressos à venda no local 1h antes do espetáculo.
R$ 20 reais com meia entrada.
Classificação: 18 anos

domingo, 8 de maio de 2011

Cambada do Levanta FavelA convida você para assistir:




 
‘’MARGEM ABANDONADA MEDEAMATERIAL PAISAGEM COM ARGONAUTAS’’
-TEATRO DE VIVÊNCIA-
NO CLUBE DE CULTURA
(RUA RAMIRO BARCELOS, 1853)
SEMPRE ÀS 20 HORAS.
Dias:
7,13,21 E 28 DE MAIO;
4,11,18 E 25 DE JUNHO
Ingressos a venda na bilheteria do teatro 1h antes da apresentação
R$ 20,00 inteiro e R$ 10,00 meia entrada.
A Cidade de Corinto está em chamas desde que a feiticeira Medeia foi abandonada por Jasão, seu homem. A traição do herói com a filha do rei a leva a assassinar os próprios filhos em uma sangrenta vingança. A saga da princesa de Cólquida, a perita do venenos, é revisitada desde sua fuga do lar paterno até sua aparição em outro tempo e outro espaço. Permeando a trama, surge a deusa Hécate, seu primeiro amor, inimiga da civilização, conduzindo Medeia por sua trilha de morte, levando-a a renascer em um retorno à barbárie. Jasão é condenado a vagar em uma paisagem infernal como expiação de seus crimes, um marinheiro em uma viagem sem fim, sedento em meio à água, assombrado por obscenidades, lançado à escuridão dos domínios de Tânatos, até, ciclicamente, reconhecer-se no teatro de sua morte.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Projeto Madalena


                 Madalena – teatro das oprimidas

Acontecendo no Brasil, além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona, de dezembro de 2009 até maio de 2010, o LABORATÓRIO MADALENA é uma experiência cênica voltada para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres, mesmo as suas próprias alienações, e em atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros. Contemplado com o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura (Minc/Funarte), o Laboratório Madalena integra a residência artística da diretora italiana Alessandra Vannucci no Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto¹.

Para apresentar os resultados da experiência, no dia 28 de maio, no Largo da Lapa, Rio de Janeiro, a partir das 15 horas, acontecerá o evento MADALENA OCUPA A LAPA, com apresentação de peças, performances, poesias (Madalena Encena), esculturas, pinturas, instalações (Madalena Expõe), show musical comandado por mulheres (Madalena Canta) e lona de discussão sobre a situação da mulher na sociedade atual (Madalena Debate). O evento é aberto ao público, sem cobrança de ingressos.

A experiência busca percursos de expressões estéticas e narrativas a partir do corpo feminino. Esse corpo que ao longo dos séculos permaneceu escondido, protegido e oprimido pelo corpo masculino, e hoje parece protagonizar, como objeto e sujeito, a ribalta de nossa sociedade midiática. O corpo da mulher despido, exibido, sensual, trivial, reinventado, prostituído, espremido e despedaçado nos outdoors, nas páginas das revistas, nas passarelas da moda e do samba, é o melhor veículo para venda de qualquer produto. É no corpo feminino que se trava hoje, mais do que no masculino, o embate entre os hábitos ancestrais e a defesa dos direitos humanos fundamentais. Essa condição comporta ilusões, feridas, contradições e uma busca urgente de significados.

O ponto de partida para o Laboratório Madalena ocorreu em dezembro de 2009 com duas oficinas, sendo uma delas composta por um grupo de trabalhadoras domésticas nordestinas. A partir de janeiro de 2010, pelo menos quatro laboratórios estão confirmados para ocorrer: no Ceará, Rio de Janeiro, além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona. As produções artísticas resultantes (peças, performances, esculturas, pinturas, instalações, poesias etc) circulam localmente, estimulando a discussão pública a respeito das opressões e violência contra o corpo da mulher, mesmo em tempos de revolução de hábitos e vivências e da emancipação da mulher em diversos contextos sociais. Neste momento, todos os homens são convidados a atuar como espect-atores², nos eventos-espetáculos (geralmente um Teatro-Fórum). “Essa participação fundamental para ativação de um diálogo propositivo que busque a transformação da realidade”, afirma a diretora Alessandra Vannucci. Toda a experiência está registrada para o documentário Madalena e será publicada na Revista Metaxis.

As experiências cênicas do Laboratório Madalena estão sendo desenvolvidas por Alessandra Vannucci e Bárbara Santos. Alessandra realiza pesquisa sobre arte e violência contra a mulher, investigando o tema do corpo feminino neste começo de terceiro milênio, suas revoluções, mutações, expectativas, seduções, obsessões e opressões. Bárbara Santos é socióloga e curinga³ do Centro de Teatro do Oprimido, onde coordena o Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto, possuindo larga experiência na formação de grupos populares no Brasil e na África, além de coordenar de programas de formação.

O Laboratório Madalena é uma iniciativa da diretora Alessandra Vannucci (Prêmio Shell 2006 com “A Descoberta das Américas”, eleito Melhor Espetáculo de 2006 pelo Jornal O Globo; e Prêmio Arlecchino d’Oro 2007 com “Arlecchino all’inferno”) com realização do Centro de Teatro do Oprimido.
Fonte do texto:
http://ctorio.org.br/novosite/o-que-realizamos/projetos/madalena/

sábado, 15 de maio de 2010

De que serve a bondade

1

De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

2

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela

Fonte do texto: http://www.citador.pt/poemas.php?op=10&refid=200810060311
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