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domingo, 20 de março de 2011

Poemas de Manuel Bandeira

Nu

Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...


A Cópula

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Boda espiritual

Tu não estas comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a... Afago-a...
Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua...

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra n'água.

Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...

E te amo como se ama um passarinho morto.

Fonte das imagens: Google

domingo, 24 de janeiro de 2010

Spencer Tunick: o fotógrafo do nu artístico das multidões


Desde 1992, Spencer Tunick documenta a nudez de multidões. A sua proposta é uma mistura de performance coletiva e fotografia. As suas instalações consistem de dezenas, centenas, ou mesmo, milhares de figurantes voluntários, que posam em locais públicos, tornando as fotografias um documentário do evento em si.



“Observa-se o resgate deste corpo – imperfeito, nu e exposto no espaço urbano – associado à idéia de um ato de libertação e resistência (entendida em termos foucaultianos como um “interlocutor irredutível” nas relações de poder), capaz de questionar e transgredir os códigos sociais normativos que regulam a sua exposição. Numa apreciação inicial do tema, no entanto, consideramos que o que em termos individuais representa uma experiência cultural significativa pode estar inserido em uma lógica onde os múltiplos discursos sobre o corpo atendem a mecanismos de poder amplamente difundidos nas sociedades modernas”. (Fábio Ramalho).


“O corpo, amplamente exibido e reivindicado como instrumento privilegiado de expressão artística, assume também esta multiplicidade de abordagens e, dentre elas, chama-nos particularmente a atenção o modo como se entrelaçam em determinados discursos as noções de indivíduo e corpo; mais precisamente, o corpo como expressão de individualidade, como interface social que permite o contato em um ambiente social compartilhado, ou ainda como elemento no qual se materializa a idéia de uma cisão entre indivíduo e sociedade, mas no qual se pode realizar também – ao menos temporariamente – a superação desta dualidade.”


“É no espaço urbano, ambiente privilegiado na instauração destas experiências culturais modernas, que o corpo vivencia mais intensamente as dinâmicas de exibição/ocultação, mas é também aí onde ele se submete mais fortemente às regras do convívio, interdições, economia dos gestos e normas de comportamento que regem o espaço coletivo.” (Fábio Ramalho)


“Tem-se, assim, um sentido construído ao longo do percurso de realização da obra que se fundamenta na noção de um trabalho essencialmente coletivo, de interação, e cujo elemento de maior significação reside no ato de despir-se que, por sua vez, alude à quebra das normas e códigos que regulam a exibição dos corpos publicamente. Quebra associada a ideais de auto-afirmação – reconhecimento e valorização de particularidades, detalhes da anatomia, características pessoais de comportamento e atitude que são expressas neste ato, bem como a manifestação de uma forma peculiar de se relacionar com o entorno – e também de libertação – transgressão às normas sociais de conduta, novos usos do espaço público, despojamento de roupas, acessórios e outros elementos culturais de identificação e distinção social, ou até mesmo o sentimento (mesmo que momentâneo) de supressão do distanciamento entre corpo e artificialismo da paisagem.” (Fábio Ramalho).




Referências:

RAMALHO, Fábio. As ambiguidades da resistência: indivíduo, corpo e poder nas instalações urbanas de Spencer Tunick. Artigo disponível em: http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/article/view/8/9. Acesso em 23 jan. 2010.

Fonte das imagens:



Postado por Tânia Marques em 24 de janeiro de 2010.
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