quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Humanidade - Jorge Saes


Humanidade, desperta! Escassos serão teus dias felizes. Como ser feliz ante o glossário de gemidos tristes que nos chegam pelas urdidas ondas do mar que batem à orla? Em cada vaga, muita dor - dor, sofrimento, angústia e desesperança chegadas nos braços das águas na figura minguada do menino que perdeu, além da vida, a dignidade. Tenho certeza que ele nasceu para ser feliz, assim como nossos filhos que nascem todos os dias trazendo, no choro da vida, um fundo de esperança de alguma luz. Luz que se apaga a cada instante ante a fome e a miséria. Nossos dias são de sentido e silencioso pranto. Entorpecidos pelo vinho da indiferença brindamos taças vazias de amor. Bandeiras tremulam na pesada fuligem de um ódio dilacerante. E há quem valorize o ódio. Neste cenário, caminhas agarrada a imaginários sonhos de felicidade. Desperta, humanidade! Abre a janela para olhar a turba sedenta em tuas calçadas, querendo justiça. Ela subirá tuas escadas para arrancar a máscara de tua falsa comiseração. Humanidade, desumanidade... Vítima e algoz de si mesma. Jorge A. Saes. (artista plástico e poeta residente em Torres - RS.)
Poema em homenagem a Aylan Kurdi, de 3 anos, que morreu ao tentar chegar de barco à Europa.

Fonte da imagem: Google. Trabalho em photoshop realizado por Tânia Marques.

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