domingo, 24 de janeiro de 2010

Spencer Tunick: o fotógrafo do nu artístico das multidões


Desde 1992, Spencer Tunick documenta a nudez de multidões. A sua proposta é uma mistura de performance coletiva e fotografia. As suas instalações consistem de dezenas, centenas, ou mesmo, milhares de figurantes voluntários, que posam em locais públicos, tornando as fotografias um documentário do evento em si.



“Observa-se o resgate deste corpo – imperfeito, nu e exposto no espaço urbano – associado à idéia de um ato de libertação e resistência (entendida em termos foucaultianos como um “interlocutor irredutível” nas relações de poder), capaz de questionar e transgredir os códigos sociais normativos que regulam a sua exposição. Numa apreciação inicial do tema, no entanto, consideramos que o que em termos individuais representa uma experiência cultural significativa pode estar inserido em uma lógica onde os múltiplos discursos sobre o corpo atendem a mecanismos de poder amplamente difundidos nas sociedades modernas”. (Fábio Ramalho).


“O corpo, amplamente exibido e reivindicado como instrumento privilegiado de expressão artística, assume também esta multiplicidade de abordagens e, dentre elas, chama-nos particularmente a atenção o modo como se entrelaçam em determinados discursos as noções de indivíduo e corpo; mais precisamente, o corpo como expressão de individualidade, como interface social que permite o contato em um ambiente social compartilhado, ou ainda como elemento no qual se materializa a idéia de uma cisão entre indivíduo e sociedade, mas no qual se pode realizar também – ao menos temporariamente – a superação desta dualidade.”


“É no espaço urbano, ambiente privilegiado na instauração destas experiências culturais modernas, que o corpo vivencia mais intensamente as dinâmicas de exibição/ocultação, mas é também aí onde ele se submete mais fortemente às regras do convívio, interdições, economia dos gestos e normas de comportamento que regem o espaço coletivo.” (Fábio Ramalho)


“Tem-se, assim, um sentido construído ao longo do percurso de realização da obra que se fundamenta na noção de um trabalho essencialmente coletivo, de interação, e cujo elemento de maior significação reside no ato de despir-se que, por sua vez, alude à quebra das normas e códigos que regulam a exibição dos corpos publicamente. Quebra associada a ideais de auto-afirmação – reconhecimento e valorização de particularidades, detalhes da anatomia, características pessoais de comportamento e atitude que são expressas neste ato, bem como a manifestação de uma forma peculiar de se relacionar com o entorno – e também de libertação – transgressão às normas sociais de conduta, novos usos do espaço público, despojamento de roupas, acessórios e outros elementos culturais de identificação e distinção social, ou até mesmo o sentimento (mesmo que momentâneo) de supressão do distanciamento entre corpo e artificialismo da paisagem.” (Fábio Ramalho).




Referências:

RAMALHO, Fábio. As ambiguidades da resistência: indivíduo, corpo e poder nas instalações urbanas de Spencer Tunick. Artigo disponível em: http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/article/view/8/9. Acesso em 23 jan. 2010.

Fonte das imagens:



Postado por Tânia Marques em 24 de janeiro de 2010.

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