domingo, 18 de abril de 2010

.amor contraproducente.

.amar demais o outro é a contrapartida de amar pouco a si mesmo. o amor em demasia impede o aparecimento de sentimentos saudáveis, é contraproducente, tolhe o companheirismo e o equilíbrio da relação afetiva, pois, até certo ponto, o ciúme patológico que o acompanha faz distorcer necessariamente a realidade. não desejo ser amada nem demais nem de menos, apenas na medida certa. o amor, principalmente o romântico, prima pelo enclausuramento do casal às suas convicções de posse corporal, emocional e espiritual. onde há a quebra do respeito ao direito de liberdade do parceiro, não há vida, não há reservas de alegrias a serem somadas; existe, pois, o individualismo narcisista da vontade de um sobre o outro, numa troca recíproca de palcos e holofotes. a relação neurotizada gera ainda mais sofrimento, uma vez que, além de não se bastar a si própria, pela falta de harmonização, acaba sugando as energias vitais numa reciprocidade sem fim, obviamente, engendrando estados depressivos e muita solidão a dois. eu deixarei de amar alguém no dia em que me sentir sufocada psicologicamente. sentimentos persecutórios são doentios. os componentes básicos para se preservar uma relação estão diretamente ligados a uma opção consciente de escolha, à liberdade e, principalmente, à sedução. para mim, a sedução tem a mesma posição de importância que a traição, com a diferença que a primeira trabalha a honestidade, o encantamento e o tesão, e a segunda, a crueldade em relação aos seus próprios sentimentos e aos alheios, a incoerência total entre o falar e o agir, a covardia. o amor só vive em liberdade e, diga-se de passagem, liberdade é sinônimo de confiança no outro e na relação. é um meio termo entre a sensação de pertencimento e a de independência total, onde cada um age por si sem deixar de ser dois.


Tânia Marques 24/02/2010.

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