quinta-feira, 3 de março de 2011

Mãe! (07/10/1924 - 25/02/2011)

Mãe, tu sabes o quanto eu detesto despedidas, mas fiquei firme, a teu lado, até o fim da tua luta pela vida ou início, de repente, da tranqüilidade de tua alma. Mãe querida, guerreira, a mulher mais forte, mais teimosa e mais amorosa que eu conheci. Uma doadora universal de amor, obviamente se não pisassem em teus calos. Contigo aprendi a ser como eu sou, eu sou um grande pouco de ti, aprendi contigo principalmente a ser batalhadora, desbravadora, a não deixar que os outros passem por cima dos meus direitos. Aprendi a te amar pela tua simplicidade, pela tua honestidade, pela tua franqueza, mesmo sabendo que, às vezes, tu metias os pés pelas mãos comigo, me xingava, caçoava das minhas roupas, colocava defeitos nos meus namorados, aprendi a te amar, mesmo sabendo que tu cobravas muito de mim, querias que eu fosse uma dona-de-casa perfeita, como tu eras. Aprendi contigo a ser muito independente, enquanto mulher, mãe, profissional, mas, por incrível que pareça, nunca aprendi a me soltar de ti. Por mais distantes que tenhamos ficado, enquanto eu morei em outra cidade, tu estavas ali, diariamente me telefonando, indo ao meu encontro nos momentos mais difíceis e/ou importantes de minha vida. Espero ter feito a tua vida um pouco melhor, dando-te também dois lindos netos para tu amares, para a tua felicidade. As batalhas que vivenciamos juntas, as dificuldades imensas, foram todas recompensadas pelo amor que sentíamos uma pela outra, pela nossa união de forças. Tu foste sempre a minha melhor amiga e conselheira, embora eu só tenha tido a oportunidade descobrir isso após a maternidade, há 22 anos. Por isso e por um milhão de outras circunstâncias vividas a teu lado, foi muito difícil para mim e, ao mesmo tempo muito necessário, ter ficado contigo, acompanhando-te, agarrada à tua mão, alisando os teus cabelos, dizendo que eu te amo, que tu foste uma grande bênção em minha vida, ter ficado colada a ti até o teu último suspiro. Era uma contagem regressiva irreversível e praticamente insuportável para nós, eu sabia disso e lamentava cada segundo que passava, pois eu já tinha consciência do que seria o final. A cada instante que eu olhava para os muitos aparelhos que te monitoravam e via todos os números despencando mais e mais, mesmo assim, eu me mantive forte, sem chorar, falando do meu amor por ti, aquecendo a tua mão super gelada, olhando para os teus olhos que se distanciavam cada vez mais de mim e deste mundo sofrido para ti. Minha mãe amada, quero que saibas que tu continuas viva dentro de mim, nos meus pensamentos, nos meus atos, nas minhas palavras, nos meus filhos. Basta eu consultar a minha consciência para escutar os teus conselhos, os teus ensinamentos, as tuas dúvidas e as tuas rabugices. O teu senso de justiça prevalecia sempre, porque sabias amar incondicionalmente os teus filhos. Partiste levando contigo muitas mágoas em teu coração, infelizmente, embora elas não tenham sido proporcionadas por mim.  Mesmo assim, foste em paz contigo mesma, com a certeza de que cumpriste todas as tuas tarefas, dando o melhor que podias aqui na Terra, mesmo que esse melhor não tenha sido o que os outros desejavam de ti. Levaste em tua face muita serenidade e paz de espírito. Constatar visivelmente isso foi um conforto grande para mim e, ao mesmo tempo, um sinal desesperador pela tristeza da separação, foi desolador pela dor saudade que sentirei de ti. Tu foste e sempre serás a minha referência de amor, de carinho, de partilha, tu serás eternamente a minha heroína. Te amo muito e desculpa se, na nossa caminhada, algumas vezes eu tenha te chateado.  O sol, a lua, as estrelas cuidarão eternamente de ti, iluminando o teu caminho a partir de agora, e tu continuarás a me guiar com o teu próprio brilho. Tua filha, Tânia

Fonte da imagem: fotolog.com

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