domingo, 13 de março de 2011

POLÍTICA E REVOLUÇÃO: O QUE PODE OS SONHOS?...

 
Jorge Bichuetti

No dia a dia, ouvimos com frequência muitos dizerem: não gosto de política... não suporto nem mesmo o cheiro... E a política como é vivida pelos políticos profissionais nos levam a identificá-la com inegável fonte de podridão e corrupção. No entanto, tudo é política; pois, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer repercute no coletivo, na vida social e nos caminhos da humanidade.
A política é a ação que visa à pessoa e afeta o bem comum...
O Estado é o ordenamento político de manutenção e reprodução das relações instituídas de dominação e subordinação. Mantém a ordem, evita e rebeldia e a insurgência e anula as possibilidades do novo e da mudança.
... Porém, a vida não é linear, envolve contradições e lutas; e, assim, muitas vezes, o Estado se vê, ativo ou reativamente, obrigado a assumir políticas que atendem as necessidades e os direitos dos excluídos e oprimidos.
Daí, urge que saibamos fazer valer nossos direitos... Política é o campo da luta pelos direitos, por uma nova vida e um outro mundo possível.
Nossa desilusão nasce, em muito, dos partidos que se apossam do Estado e se perpetuam na defesa de privilégios próprios, esquecidos dos ideais e sonhos. Uma ação por direitos não pode se restringir às meras ilusões dos políticos e partidos... Militar é agir: dizia Guattari...
Hoje, se tem claro que política do povo não pode ser somente denúncia e reivindicação; necessita ser insurgência, construção, ocupação e efetivação concreta da utopia. Não uma ação pela utopia que se dará num longínquo amanhã... Todavia, sim, uma produção de ações moleculares que tornem realidade a vida sonhada e de direito, já...
Cabe aqui a ideia de Michel Foucault de Dispositivo, a de Bauleo de Contrainstituição e a de João Machado e Singer de Impantes socialistas...
Deleuze falava da imanência do molar e do molecular... assim, a potência insurgente das pequenas revoluções moleculares germina e torna vulnerável as próprias entidades molares.
Davi contra Golias... Mais: a vida devindo-se davis... e vida negando-se aos desmandos de Golias.
É possível sonhar, é possível mudar...
O que jaz desvitalizado é a ideia de um partido e um programa que nos conuziriam à terra prometida.
Hoje, a melhor tradução é da dada por Hebe de Bonafini: revolução se faz, fazendo-a; revolução se faz, partilhando; e revolução se faz, dando-se...
Mudemos nosso jeito de viver...
Criemos coletivos solidários e libertários...
Sejamos insurgentes...
E caminhemos construindo uma ética e uma estética onde a vida de fato possa devir-se inclusão, solidariedade e ternura, direitos humanos e direitos à diferença, igualdade, generosidade, poesia, arte, alegria e amor... Então, nos nossos corpos e nossos caminhos a liberdade florescerá e edificaremos um novo tempo. Nela, a paz e a vida plenificada nos colocará num plano da política que será , tão-somente, o viver e o conviver na harmonia efetiva do bem comum...

Fonte: http://jorgebichuetti.blogspot.com/

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